E assim terminou tão estranha história. A borboleta conseguiu, furando os caminhos tortuosos pelo meio do bosque ainda enfarinhado por tão rigoroso Inverno, encontrar a pequena flor, que a chamava intensa e silenciosamente. A vida da frágil borboleta, pintada monotonamente numa escala de cinzentos, mudou nesse momento; soube que, dali em diante, nada faria sentido sem aquela flor. Um dia, sem precisar de abrir os olhos, a borboleta conheceu uma elegante flor que irradiava uma luz tão forte que quase magoava. Havia, numa longínqua planície do norte, uma borboleta que se recusava a ser como outras borboletas; para além de voar, gostava muito de sonhar. Era uma vez.


1 comentário:

    Ricardo Rocha disse...

    Também nós podíamos viver assim: iniciávamos a caminhada na solidão da velhice, sem conseguir ver nem ouvir, e acabávamos bem confortáveis e protegidos pelo calor do ventre da progenitora.

  1. 18 de março de 2010 às 04:38