Este é um desabafo carregado de revolta. Revolta contra a forma como o mundo está feito e como as nossas vidas assentam nele.
Os objectivos de todos nós resumem-se a um só: felicidade. Todos nós crescemos e vivemos com o único e simples objectivo de podermos passar momentos com coisas e pessoas que nos preencham totalmente, de forma a ficarem cravados nas nossas memórias que levaremos um dia para algures. Quanto maior o somatório de todos esses momentos, mais felizes somos.
Revolta-me o facto de, em última instância, não termos qualquer controlo sobre o rumo das nossas vidas mas, pelo contrário, entregarmo-nos de boa vontade a uma tal entidade, a quem nunca ninguém viu a cara, chamada *destino*.
Grande parte das pessoas é apologista de que é aí que está a piada de tudo: a incerteza. Afirmam que são as novidades e os pequenos acasos que cruzam o nosso caminho que fazem da nossa vida mais ou menos colorida. Permitam-me discordar disso.
Eu, por exemplo, adoro tocar ao vivo. Preenche-me totalmente e é um daqueles momentos que, sem qualquer dúvida, chamo um momento de felicidade. Vou ser menos feliz a vivê-lo se souber com antecedência de um mês ou um ano que ele vai acontecer? É a incerteza se ele vai acontecer ou não que me faz sentir feliz? Podem ter a certeza que não. Antes pelo contrário, porque eu sinto felicidade por antecipação. Se souber que amanhã vou ser feliz, hoje já o sou também.
E o presente? Qual é a linha que delimita o que é presente e o que é futuro? Até onde posso fazer planos? Até onde posso saborear o gelado sabendo que ele não derrete? Não me posso alargar muito, lembremo-nos, porque "nunca sabemos o dia de amanhã". Que porcaria de esquema.
Admito que têm piada coisas como descobrir que o outro namora com a prima dela, que alguém gosta da Lápis de cor ou qualquer um dos inúmeros factos novos e imprevisíveis com que somos bombardeados diariamente. Sim, admito que trazem alguma piada a isto. Mas compensam o facto de, mesmo nos assuntos mais importantes das nossas vidas e que nos afectam de uma forma mais directa, não termos a mais pequena ideia de como vai ser o dia de amanhã? Eu digo que não.
Se tivesse a oportunidade de ver o meu futuro todo escarrapachado, podem ter a certeza de que o faria.

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