Acho piada a uma máxima que uma grande parte das pessoas que conheço enverga com grande orgulho: "comigo está tudo bem, mas a partir do momento que me fazem mal, estão perdidos comigo".
No fundo, o que dizem é que as outras pessoas estão numa espécie de um estado neutro que, a partir do momento em que algo de mau delas provém, há uma lista negra onde mais um nome é gravado a ferros e, a partir daí, não há volta a dar.
Pessoalmente, não é assim que funciono, mas não tenho nada contra.
Mas e o contrário?
E quando, de um estado neutro, vêm (imensas) coisas boas e manifestações de tudo o que são sentimentos bons (salientando, se me permitem, o respeito, que acho que é o pai deles todos)?
Essas mesmas pessoas, que se dizem de personalidade forte e vincada, marcam essas outras pessoas numa lista branca a, sei lá... lápis de cera?
Acho também piada que essas pessoas tenham uma forte capacidade para se lembrarem desses tais momentos negros e das pessoas que os causaram, mas sejam totalmente amnésicas no que toca às pessoas que estavam lá para as apoiar e, na medida dos possíveis, descer esses momentos negros na escala dos cinzentos.
O último álbum de Rui Veloso chama-se, magistralmente, "Espuma das canções". O nome é alusivo ao que fica depois de todas as canções que passaram, boas ou más, um bocado como a espuma que fica na areia depois da onda partir.
Tenho pena quando a "espuma dos sentimentos", ou seja, o que fica quando a onda de sentimentos já seguiu viagem, é tão... vazia.
No meu mundo, seja ele dos sonhos ou não, as pessoas respeitam-se e, mesmo que as circunstâncias da vida inviabilizem o presente e o futuro, há sempre carinho pelo passado. Portanto, não sei se me arrependa do que dei ou se me sinta feliz pela forma como saí.
Fico feliz, sem dúvida.

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