Ano de 1999 ou 2000, estava eu em plena adolescência borbulhada e, no que a música dizia respeito, limitado a meia dúzia de álbuns que ouvia repetidamente e, convictamente, garantia serem a única música que prestava. Para além do meu primeiro álbum, o primeiro dos Silence 4, lembro-me de ter daquelas compilações cheias de êxitos das rádios, tipo o "Now That's What I Call Music! 41", onde ouvia noites a fio a "Sweetest Thing" dos U2 e a "Falling In Love Again" do Eagle Eye Cherry, ou o "Smash Hits!" onde delirava com a "Praise You" do Fatboy Slim. Já na altura filtrava o lixo que existia nessas colectâneas, mas o que sobrava, para mim, era o suficiente para não querer ouvir mais nada.
Um belo dia, o meu pai abordou-me com um álbum de capa roxa, aparentemente sem grande piada, com um nome igualmente enfadonho. "Ouve isto", disse o homem. Adolescente como era, recusei arrogantemente a proposta e continuei com o que estava a fazer. O meu pai, como se de uma tarefa importantíssima se tratasse, insistiu para que eu ouvisse o tal disco. Era um "best of" dos Deep Purple e, depois de o ter ouvido em loop meses e meses a fio, apercebi-me que mudou tudo. Portanto, obrigado, pai!


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