Hoje, enquanto procurava informações sobre um álbum de que gosto bastante, deparei-me com um site que mereceu a minha atenção. Chama-se metacritic e é um site que... faz críticas. *We deal with criticism* é o slogan dos senhores. Ao que parece, aqui faz-se uma compilação de críticas sobre séries de TV, filmes, jogos de computador e... música.
Em relação às três primeiras áreas não teço qualquer comentário, mas esperem lá; críticas sobre música?
Lá fui investigar. Entrando em http://www.metacritic.com/music, vemos todo um site dedicado a críticas sobre os trabalhos dos mais diversos artistas. Está também disponível um ranking dos artistas com melhores pontuações no ano corrente e em anos passados.
Isto parecer-me-ia tudo muito normal se estivéssemos a falar de equipas de futebol, jogadores de setas ou pescadores do mar báltico; como se classifica e quantifica a qualidade da música, então?
Passo a mostrar algumas coisas que achei interessantes:

  • Feels Like Home, Norah Jones: «Feels Like Home is so inoffensive you have trouble remembering whether you put it on.» (The Guardian)
  • Subtítulo, Josh Rouse: «Connoisseurs of 1972 will be forced to conclude the poor boy's got sunstroke.» (Uncut)
  • It Won't Be Soon Before Long, Maroon 5: «Listen to this record and you realise that by comparison, Robbie Williams does actually have some soul. And if that's not a damning indictment of one of the most execrable records you're likely to hear this decade, I don't know what is.» (Playlouder)
Estes são apenas alguns álbuns que me lembrei de pesquisar.
Bom, não tenho nada contra pessoas darem a sua opinião. Faz-me, sim, confusão a ideia de opiniões como estas venderem, o que quer dizer que há muito boa gente que lhes dá valor.
Hey! Estamos a falar de música!

Acho que vou lançar um site onde se decidirá qual é, definitivamente, a cor mais bonita.


4 comentários:

    Unknown disse...

    Posso ter percebido mal o teu ponto de vista, mas o que estás a querer dizer é que uma instituição como a crítica musical (e, por extensão, a crítica de arte em geral, porque a música não é especial no meio das outras artes) só deveria existir se veiculasse opiniões com as quais concordas?

  1. 3 de fevereiro de 2009 às 11:26  
  2. Eduardo Bouças disse...

    Sim, percebeste mal. Ainda estou a reler o que escrevi e não encontro parte alguma onde tenha dito isso, mas explico na mesma.
    Em relação à música não ser especial no meio das outras artes é, mais uma vez, subjectivo. Mas mesmo não sendo, quando disse «em relação às três primeiras não teço qualquer comentário» foi porque, apesar de achar que faz bem mais sentido criticar algumas delas, não me sinto minimamente habilitado a falar sobre o assunto e, assim sendo, preferi não o fazer.
    No que toca às opiniões serem ou não de acordo com as minhas, peço-te que voltes a ler o que escrevi. Eu escolhi esses álbuns por terem recebido críticas que acho absurdas e não por serem os meus álbuns favoritos (que não são).
    *Bottom line is* acho ridículo alguém dar direito de antena a alguém para dizer coisas como as que estão aí (ou outras piores que nem me dei ao trabalho de procurar).
    Eu gosto de uma música e tu gostas de outra; é assim que as coisas são e é por isso que têm piada.

  3. 3 de fevereiro de 2009 às 12:36  
  4. Unknown disse...

    Depois dessa tua resposta, o que continuo a perceber é que, basicamente, estás contra a existência da crítica musical. Tudo bem; é a tua opinião. Mas a crítica de arte - e aproveito para te perguntar o que tem a música de especial relativamente ao cinema, à fotografia, à pintura, à escultura, à literatura ou mesmo à banda desenhada* -, especializada ou não, nas suas mais variadas vertentes, sempre existiu e continuará a existir.

    O "pormenor" do meu anterior comentário referente à diferença de opiniões surgiu desta tua passagem: «... não tenho nada contra pessoas darem a sua opinião. Faz-me, sim, confusão a ideia de opiniões como estas venderem...». Mais uma vez, posso estar a interpretar mal as tuas palavras, mas, se fossem opiniões com as quais concordasses (e, já agora, sublinhe-se que eu nunca sugeri sequer que aqueles fossem os teus álbuns favoritos), já não te faria confusão? A crítica musical - e, lá está, a crítica de arte em geral - é como tudo o resto: haverá sempre a boa e a má, e, dentro de cada uma, aquela com cujas opiniões concordamos e aquela de cujas opiniões discordamos.

    *Sim, há mais artes, mas foram as que me ocorreram agora.

  5. 3 de fevereiro de 2009 às 13:39  
  6. Eduardo Bouças disse...

    Faz sentido para mim diferenciar a música de outras áreas que falei no meu post. Por exemplo, acho aceitável quantificar a qualidade de um jogo de computador; há aspectos que são objectivos, tais como a qualidade gráfica ou os recursos requiridos.

    Essa passagem foi, de facto, mal entendida por ti. Faz-me confusão o facto de opiniões como aquelas venderem, sim. Não por serem diferentes da minha, mas pela maneira como foram escritas. Achas que faz sentido dizer aquilo, seja sobre que artista for? Eu não acho. E, como tal, deixei aqui a minha opinião.
    Acho que a música é demasiado pessoal e subjectiva para se escreverem coisas daquelas.

    *Talking about music is like dancing about architecture.*

  7. 4 de fevereiro de 2009 às 01:54